quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

SIMPLICIDADE


Já escolhi meu substantivo pra 2009: simplicidade. Cada vez me atrai mais a idéia de descomplicar, reduzir, querer menos, deixar por menos e viver com mais qualidade. E foi justamente sobre esse tema que eu conversei outro dia com o filósofo Mario Sergio Cortella, que eu digo, sem corar, que é meu ídolo. Participamos de um mesmo evento e, no intervalo das palestras, aproveitei pra aprender com Cortella – qualquer conversa com ele nos faz pensar. Abordei a questão da simplicidade e o filósofo disse o seguinte: “Simplicidade é a gente impedir o transtorno inútil, a palavra além da conta, o gesto exagerado”.Cortella lembra que estamos vivendo um momento de excessos e levando o que ele chama de uma vida rococó. Tantos adornos, tantos adereços, tantas complicações, tanto consumo... O básico nunca esteve tão distante – até aquele pretinho no armário anda esquecido. Trabalhamos muito, gastamos muito, queremos muito, nos preocupamos com muitas coisas. E aí vêm os transtornos inúteis que ele cita, o desperdício de palavras, o excesso nos gestos.Acho que “limpar” a vida desses excessos é um dos desafios mais estimulantes que podemos nos propor. Aprender a ter menos, se estressar menos, querer impressionar menos, redescobrir o prazer que vem das coisas menores (que geralmente são as essenciais), se cobrar menos e experimentar a sensação de leveza que só a simplicidade nos dá.Que tal a gente tentar essa despoluição da vida em 2009? Ou talvez já começar hoje, a título de ensaio?

(Leila Ferreira, dez 2008)

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